Arquivo de Dezembro, 2007|Página de arquivo mensal

E já passou

Parece que consegui ser um dos poucos resistentes desta época. Eu, fui capaz de passar a época de Natal sem referir, nem falar nenhuma vez dele. Para muitos isto até pode parecer fácil, e essas pessoas têm toda a razão, já que não implica muito trabalho físico nem trabalho mental (factor determinante em muitos dos casos).
Tem apenas um senão, traz algumas dores de cabeça, devido ao facto das pessoas estarem sempre a perguntar aonde está o meu espírito natalício, a minha alegria nesta época, os enfeites de natal na casa, o pai natal na varanda a tentar subir/descer. Aí está uma figura interessante, é que eu no outro dia vi um que se mexia, tinha cerca de 1,78m e trazia ouro no saco em vez dos habituais carros telecomandados e as bonecas. Reparei também que ele trouxe uma escada grande e em vez de entrar pela chaminé, decidiu forcar a porta com o pé de cabra e depois de sair da casa vinha mais carregado do que quando entrou. Depois de discutir essa cena com os transeuntes, concluímos que ele deveria trazer os plásticos e aquela esferovite toda que ocupa muito mais espaço depois de desmontada, ou seja, era um pai natal que até limpava a casa.

Filmes e mais filmes

Quando se está de férias dá tempo para ver muitos filmes como:

Planet Terror (2007)
Esta é a segunda parte do projecto Grindhouse, mas acho que é melhor não colocar o Death Proof em comparação com este, porque este sai a perder. Em termos de argumento, acho que podemos afirmar que ele quase não existe, ele é apenas uma desculpa para um sem fim de efeitos especiais, em nada comparável com os diálogos de Quentin Tarantino. Mas esse era o objectivo do filme, fazer algo de divertido e para passar um bom bocado, onde, apesar de ser um filme de terror, conseguimos largar umas boas gargalhadas.

Plan 9 from Outer Space (1959)
Depois de ver este filme percebi que o seu realizador – Ed Wood Jr. – não foi votado como o pior realizador da história do cinema sem bons motivos. E basta vermos o filme para confirmar isso (é a noite a virar dia e o dia a virar noite tudo na mesma cena). Mas somos capazes de perdoar tudo isto quando sabemos que ele apenas fez aquilo que lhe parecia bem, aquilo era a sua visão das coisas. Apenas uma visão não tão geral. Não interessa se fica bem feito, desde que faça sentido para o autor. E para ele não é importante os pormenores mas a visão geral.

Ed Wood (1994)
Um filme do grande Tim Burton que nos conta a vida de Ed Wood Jr. Depois de o visionar-mos conseguimos compreender melhor quem foi Ed Wood, a vontade que tinha de fazer cinema e tudo aquilo que ele passou para o fazer. E isto visto pelos olhos de Tim Burton só poderia ficar genial, visto serem os dois bons apreciadores de cinema e gostam do que fazem.

The Good, the Bad and the Ugly

Depois de ver este filme, posso dizer que esta manhã visionei uma obra-prima. Daqueles clássicos que qualquer pessoa deveria ver e rever até se cansar (apesar de isso me parecer um bocado impossível). É sem dúvida uma obra-prima a todos os níveis, desde os actores ao argumento, sem nunca esquecer a forma como o realizador – Sergio Leone – conta a história, com o uso e abuso de planos próximos, de forma a tentar-mos perceber aquilo que cada personagem nos quer dizer.
E não nos podemos esquecer da banda sonora. Este é daqueles filmes que nos marca muito por culpa da sua banda sonora, onde ela é usada e interage com o filme dando-lhe outra cor, outra alma e em cenas como a do duelo final em que ela suaviza o clima. Ela torna as emoções mais fortes ficando assim o filme ainda melhor de assistir e mais marcante.
Não sabemos os nomes das personagens, mas também não é importante pois tudo aquilo que precisamos de saber é-nos, muitas vezes, transmitido por um simples olhar.
A sua premissa até pode não ser algo de inovador – três homens à procura de um tesouro durante a Guerra Civil – mas a forma como o argumento foi idealizado, torna a sua história interessante e prende o espectador até ao fim.

Era cada coelho

Realmente não existe fim-de-semana mais bem passado do que um em que quase não conseguimos falar. Não significa que eu tivesse grande coisa para dizer, mas sempre sou bom a reclamar e dizer mal das pessoas. Ora, se não consigo falar porque tenho a garganta toda arranhada, as pessoas já não têm o prazer de receber um insulto meu e, logo de seguida, veremos a taxa de suicídio a aumentar, porque é certo e sabido que as minhas palavras são capazes de desencorajar a maioria dos suicidas. A maioria porque existe uma pequena parcela de pessoas com tendências suicidas que são surdas e como tal, eu posso falar à vontade que não iria dar em nada.
Eu até já pensei em aprender linguagem gestual para conseguir falar com os surdos, mas segundo dizem, aquilo parece que dá algum trabalho. Ou seja, quando me pedem para escolher entre ter o trabalho de aprender linguagem gestual para prevenir que os suicidas surdos não se matem, ou não ter trabalho nenhum e deixar os surdos morrer, eu escolho logo a segunda sem pensar nenhuma vez.
Eu sei que fazer isso pode parecer maldoso e que os surdos todos devem estar nestes momento a insultar-me, mas como eu não percebo linguagem gestual não me afecta nada, por isso, podem continuar à vontade enquanto eu vou ver se mato um coelho à pedrada (É com frases bonitas como estas que eu conquisto os meus amigos, as amigas preferem quando eu digo frases mais simpáticas do estilo: espera um bocado que eu vou ali ver se afogo um gatinho).

Balla e Bullet

Afinal isto do estudo até pode ser bastante lucrativo e informativo. Partindo do pressuposto de que todas as pessoas estudam com música, então ainda mais lucrativo o é. É que para além de uma pessoa aprender aquilo que está a estudar também faz novas descobertas a nível musical.
A minha última descoberta foi os Balla e o seu novo album “A nova mentira”. A banda de Armando Teixeira demonstra aquilo que melhor se faz em Portugal em termo de pop e electrónica. Ele volta aqui a provar a sua genialidade, compondo ele próprio responsável pela composição, gravação e produção de todo o disco.
Outra das descobertas foi os Bullet, também de Armando Teixeira (isto é que deve ter sido uma trabalheira a pensar nos nomes para as bandas), desta vez numa vertente mais hip-hop, com alguns toques de jazz, soul e funk. Desta vez um projecto mais para o instrumental mas com a presença de bastantes convidados a nível vocal.
Sem duvida alguma, duas bandas a ter em conta no panorama musical português